11 MAIO 2026

AÇÃO EVANGELIZADORA DIOCESANA 


No dia 09 de maio, realizou-se o Encontro Diocesano das Equipes Sinodais Paroquiais (ESPs) e das coordenações dos Conselhos Missionários Pastorais Paroquiais (CMPPs), reunindo representantes das paróquias da Diocese na Paróquia São Pedro. O encontro teve como objetivo aprofundar o caminho da fase de implementação do Sínodo, fortalecer a comunhão entre as lideranças e apresentar pistas concretas para o caminho sinodal nas comunidades.

A programação iniciou-se com a celebração da Santa Missa presidida por Dom Celso Antônio Marchiori, concelebrada por Pe. Celmo Suchek de Lima, Pe. Raju Devarakonda e Pe. Jaime Antônio Schmitz. Ao longo do dia, os participantes viveram momentos de oração, memória do caminho sinodal, estudos, trabalhos em grupos, vivências e encaminhamentos pastorais.

Dom Celso relaciona o clamor da Macedônia ao caminho sinodal da Igreja

Durante a homilia, Dom Celso Antônio Marchiori refletiu sobre a leitura dos Atos dos Apóstolos (At 16,1-10), proclamada na liturgia do dia, na qual São Paulo recebe, durante a noite, a visão de um homem da Macedônia que suplica: “Venha à Macedônia e ajuda-nos”. A partir desse texto bíblico, o bispo destacou que também hoje existem muitos “macedônios” gritando por ajuda: os jovens afastados, as famílias feridas, os pobres, os desanimados na fé e os batizados que ainda não fizeram uma verdadeira experiência com Jesus Cristo.

Relacionando a primeira leitura ao caminho sinodal da Igreja, Dom Celso recordou que a comunidade cristã é chamada a escutar o clamor do povo e discernir os caminhos do Espírito, caminhando unida na missão evangelizadora.

Em sintonia com o Salmo proclamado — “Aclamai o Senhor, ó terra inteira” — o bispo destacou que a verdadeira alegria nasce do encontro com Cristo e da vivência da comunhão. Ao relacionar também o Evangelho de João (Jo 15,18-21), no qual Jesus afirma: “Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim”, Dom Celso recordou que a evangelização encontrará resistências, especialmente quando a Igreja assume um caminho de participação, corresponsabilidade e renovação pastoral. “Jesus continua dizendo à Igreja: ‘Não tenham medo. Falem e não se calem’”, afirmou, incentivando as lideranças a permanecerem firmes na missão.

Ao aprofundar a reflexão sobre o Projeto Reiniciação e sobre a implementação do Sínodo, o bispo afirmou que “formar discípulos missionários é conduzir as pessoas a redescobrirem a beleza do Batismo, da Palavra, da comunidade, da oração e da missão”. Destacou ainda que “uma comunidade onde todos são chamados à corresponsabilidade exige conversão” e que, “quando o caminho é vivido na unidade, escutando o Espírito, nasce uma Igreja viva, missionária e acolhedora”.

Concluindo a homilia, desejou que as comunidades da Diocese se tornem “verdadeiras Macedônias visitadas pelo Evangelho”, capazes de sair ao encontro daqueles que esperam uma palavra de esperança.

Ao final da celebração, Pe. Celmo Suchek de Lima conduziu o gesto de envio e entrega dos símbolos da fase de implementação do Sínodo às paróquias, destacando a missão dos coordenadores e secretários dos Conselhos Missionários Pastorais Paroquiais e das Equipes Sinodais Paroquiais. Em sua fala, recordou que a principal missão dessas lideranças é “criar comunhão” entre as pastorais, movimentos, organismos, ministérios e comunidades, fortalecendo a vivência de uma Igreja que “caminha junta”.

Abertura: objetivos, entrosamento e memória do caminho sinodal

Na abertura do encontro, Pe. Celmo Suchek de Lima destacou os objetivos do dia, recordando que a caminhada sinodal exige uma espiritualidade de comunhão, escuta e missão. Reforçou ainda que a implementação do Sínodo não pode permanecer apenas no campo das ideias, mas precisa tornar-se vida concreta nas comunidades paroquiais. Recordou que todos são chamados a caminhar juntos na missão evangelizadora. Destacou também que as três conversões propostas pelo Documento Final do Sínodo — relações, processos e vínculos — precisam gerar mudanças concretas na vida pastoral e comunitária. Também destacou que o Guia das Equipes Sinodais Paroquiais oferece pistas práticas para fortalecer a escuta, o discernimento e a corresponsabilidade nas comunidades, ajudando as paróquias a crescerem como uma Igreja mais participativa, missionária e sinodal.

Na sequência, os participantes viveram uma dinâmica de entrosamento conduzida por Léo Marcelo Plantes Machado, que ajudou os grupos a refletirem sobre as três conversões propostas pelo Documento Final do Sínodo: relações, processos e vínculos. A atividade favoreceu momentos de partilha, escuta e aproximação entre os membros das Equipes Sinodais Paroquiais e das coordenações dos CMPPs, ajudando os participantes a perceberem que a sinodalidade se constrói concretamente no modo de se relacionar, dialogar e caminhar juntos como Igreja.

Ao longo da manhã, os participantes também retomaram a memória do caminho percorrido pela Diocese desde o início da fase de implementação do Sínodo. Foram recordados os encontros realizados com o Conselho Missionário Pastoral Diocesano (CMPD), as assembleias subsetoriais, os estudos do Documento Final do Sínodo nas paróquias, as lives formativas e os processos de reorganização das Equipes Sinodais Paroquiais. Pe. Celmo ressaltou que a Diocese vem construindo esse percurso de maneira gradual e contínua, procurando ajudar as comunidades a compreenderem que a sinodalidade não é apenas um tema, mas um modo concreto de viver a Igreja. Também recordou que a missão das ESPs consiste em animar processos de escuta, discernimento e participação nas comunidades.

O guia das Equipes Sinodais Paroquiais e os desafios da implementação

Na sequência da programação, Léo Marcelo Plantes Machado e Diogo Marangon Pessotto apresentaram os principais elementos do “Guia para a Vida Sinodal na Paróquia”, preparado para auxiliar as ESPs e os CMPPs na fase de implementação do Sínodo. Foi explicado aos participantes que o material ainda se encontra em fase final de edição e revisão, com previsão de entrega às comunidades no início do mês de junho.

Durante a apresentação, foram aprofundadas as três grandes conversões propostas pelo Documento Final do Sínodo: a conversão das relações, dos processos e dos vínculos. Também foram refletidos temas como escuta, discernimento, participação, missão, avaliação e renovação das estruturas pastorais.

Ao introduzir o tema, Diogo recordou que “a Igreja sempre foi sinodal”, mas que os tempos atuais exigem um novo esforço de consciência e implementação concreta desse modo de viver a Igreja. Destacou ainda que “escutar, do ponto de vista bíblico, não significa fazer reunião”, mas aprender a ouvir o clamor das pessoas e da realidade. Segundo ele, “escuta não é um processo administrativo, mas um processo relacional”.

Outro ponto fortemente destacado foi a compreensão do discernimento comunitário. Diogo afirmou que “o discernimento não é o que a maioria acha, mas o que Deus quer diante de determinada situação”, insistindo na necessidade de que as reuniões pastorais se tornem verdadeiros espaços de discernimento e não apenas encontros burocráticos ou administrativos.

Ao tratar da implementação do Sínodo, reforçou que “implementar é testar” e que a Igreja precisa superar o medo de experimentar novos caminhos pastorais. “Não é quem acerta mais. A lógica é quem testa mais”, afirmou, incentivando as paróquias a iniciarem pequenos processos concretos de renovação pastoral.

Léo Marcelo destacou que “a sinodalidade não é apenas uma metodologia, mas um modo de ser”, presente não apenas na Igreja, mas também nas relações humanas e familiares. Ressaltou ainda que o Guia procura oferecer instrumentos simples e práticos para ajudar as comunidades a iniciarem pequenos passos de transformação pastoral, evitando que a implementação do Sínodo permaneça apenas em reflexões abstratas.

Ao refletir sobre a identidade das ESPs, Diogo afirmou que “a Equipe Sinodal Paroquial não é uma estrutura de governo, mas uma estrutura de comunhão”, cujo objetivo principal é ajudar a criar uma verdadeira cultura sinodal na vida paroquial. Em uma das frases que mais marcaram o encontro, afirmou que “o objetivo da ESP é não precisar existir”, explicando que a missão das equipes é justamente ajudar a comunidade inteira a assumir naturalmente a cultura da escuta, da participação e da corresponsabilidade.

Também foram refletidas as mudanças necessárias nas relações comunitárias. Recordando uma expressão frequentemente utilizada por Pe. Celmo, Diogo afirmou que “não basta caminhar juntos; é preciso se esbarrar juntos”, ressaltando que a sinodalidade exige proximidade, encontro, convivência e relações mais humanas dentro das comunidades.

Ao refletir sobre o processo formativo necessário para a implementação do Sínodo, Léo Marcelo Plantes Machado destacou que a formação precisa acontecer de forma gradual, contínua e acessível, respeitando os tempos de aprendizagem das pessoas e das comunidades. Segundo ele, “não precisamos começar sabendo tudo”, mas dar pequenos passos concretos de estudo, reflexão e prática.

Léo incentivou os participantes a criarem pequenas rotinas de aprendizagem, afirmando que o estudo do Documento Final do Sínodo pode começar “dez minutos por dia”, favorecendo uma formação permanente e progressiva. Também destacou que a aprendizagem acontece no próprio caminho vivido pela comunidade, através da escuta, das experiências, dos encontros e das tentativas concretas de implementação.

Outro ponto enfatizado foi a importância de superar a lógica de formações apenas expositivas. “Tudo não pode virar palestra. Tudo precisa virar processo”, afirmou, explicando que a formação sinodal exige convivência, participação, partilha e acompanhamento contínuo. Segundo ele, mais importante do que buscar resultados imediatos é valorizar os pequenos processos comunitários que vão educando as pessoas para uma nova mentalidade eclesial.

Ao concluir a reflexão, Diogo Marangon Pessotto utilizou a imagem do futebol para explicar a missão das Equipes Sinodais Paroquiais, afirmando que “o gol é a missão”. Segundo ele, toda a vida da Igreja — pastorais, movimentos, organismos, conselhos e estruturas — deve estar a serviço da evangelização e do anúncio de Jesus Cristo.

Diogo explicou que a sinodalidade não pode ser reduzida a reuniões, documentos ou novas estruturas organizativas, mas deve ajudar a Igreja a tornar-se mais missionária, capaz de alcançar as pessoas e responder aos desafios atuais da evangelização. Nesse sentido, afirmou que as ESPs possuem a missão de “articular o jogo”, ajudando a integrar pessoas, escutar realidades, favorecer discernimentos e criar comunhão para que a missão aconteça de maneira mais eficaz.

Ao aprofundar a reflexão, destacou que muitas vezes a Igreja corre o risco de manter atividades apenas porque “sempre foram feitas assim”, sem avaliar se elas ainda ajudam realmente na evangelização. Por isso, insistiu que toda pastoral, estrutura ou prática comunitária precisa ser constantemente discernida à luz da missão da Igreja. “Se o que fazemos não é missionário, então ou deixamos de fazer ou mudamos o jeito de fazer”, afirmou.

A partir disso, incentivou as comunidades a superarem uma lógica apenas administrativa ou repetitiva, assumindo processos mais missionários, participativos e evangelizadores, nos quais a escuta, o discernimento e a corresponsabilidade ajudem a Igreja a chegar mais perto das pessoas e das realidades concretas do povo.

Trabalhos em grupos e escuta comunitária

Na continuidade do encontro, os participantes foram organizados em grupos paroquiais para realizarem um exercício de escuta e discernimento comunitário, procurando responder à pergunta: “Qual passo concreto nossa paróquia precisa dar hoje para implementar o caminho sinodal?”.

O momento foi conduzido em clima de diálogo, partilha e conversa espiritual, incentivando cada grupo a refletir não apenas sobre atividades, mas sobre processos concretos de conversão pastoral e missionária. As partilhas revelaram uma forte preocupação com a necessidade de fortalecer a escuta nas comunidades, promover encontros mais simples e acolhedores, integrar pastorais e movimentos, descentralizar os processos e investir na formação das lideranças.

Muitos grupos destacaram a importância de criar espaços menos burocráticos e mais humanos de convivência, favorecendo rodas de conversa, encontros em pequenos grupos e momentos de partilha nas comunidades. Também apareceu com frequência a necessidade de fortalecer a comunhão entre ESPs, CMPPs, CMPCs, pastorais e movimentos, superando individualismos e construindo maior unidade pastoral.

Entre as palavras e expressões mais recorrentes nas falas dos grupos apareceram: “rodas de conversa”, “escuta ativa”, “integração”, “conversão”, “encontros informais”, “mesa de café”, “formação” e “Igreja missionária”. As falas demonstraram que os participantes percebem a implementação do Sínodo como um chamado a mudar não apenas estruturas, mas principalmente o modo de se relacionar, dialogar e caminhar juntos nas comunidades.

 

A dimensão missionária do CMPP

No período da tarde, Viviane Damascena, Coordenadora Diocesana do COMIDI, refletiu sobre a dimensão missionária dos Conselhos Missionários Pastorais Paroquiais (CMPPs). A assessoria destacou que o “M” de missionário não é apenas um detalhe do nome do conselho, mas expressão da própria identidade da Igreja, chamada a ser missionária por natureza.

Inspirada no Documento de Aparecida, na Evangelii Gaudium e no Documento Final do Sínodo, a reflexão recordou que o conselho paroquial não existe apenas para administrar estruturas ou organizar calendários, mas para discernir caminhos evangelizadores capazes de alcançar também aqueles que estão afastados da vida da comunidade.

Durante a assessoria, Viviane recordou que “a Igreja não faz missão; ela é missão”, reforçando que todas as pastorais, movimentos e organismos possuem uma dimensão missionária e são chamados a favorecer o encontro das pessoas com Jesus Cristo. Também destacou a necessidade de superar uma pastoral de mera conservação, marcada pela repetição de atividades, para assumir processos mais evangelizadores e missionários.

Outro ponto fortemente enfatizado foi o chamado a olhar não apenas para quem já participa da comunidade, mas também para “a cadeira vazia”, símbolo daqueles que ainda não foram alcançados pela evangelização. Segundo Viviane, um conselho verdadeiramente missionário precisa discernir constantemente quem são as pessoas, famílias e realidades que ainda não estão sendo escutadas e acolhidas pela comunidade.

A reflexão também reforçou que o CMPP deve tornar-se um espaço de discernimento comunitário, escuta da realidade e planejamento missionário, ajudando a comunidade paroquial a assumir cada vez mais uma Igreja “em saída”, comprometida com a evangelização, a participação e a comunhão.

Vivência da identidade sinodal e envio missionário

Na reta final do encontro, os participantes viveram a experiência “Construindo a Identidade da ESP”, conduzida por Léo Marcelo Plantes Machado. A proposta ajudou os membros das equipes a refletirem sobre sua missão como animadores da comunhão, da escuta e do discernimento comunitário.

Cada participante recebeu uma folha intitulada “Identidade Sinodal”, sendo convidado a discernir palavras, atitudes e passos concretos que desejava assumir na caminhada da implementação do Sínodo em sua paróquia. O momento foi marcado por silêncio, oração, partilha e reflexão pessoal, ajudando os participantes a perceberem que a sinodalidade nasce também de uma conversão interior e comunitária.

Ao final da celebração de envio, Pe. Celmo Suchek de Lima agradeceu a presença, o empenho e a disponibilidade das lideranças paroquiais que participaram do encontro. Motivou ainda os coordenadores, secretários e membros das ESPs e dos CMPPs a assumirem com esperança e perseverança o caminho da implementação do Sínodo, recordando que a Diocese é chamada a crescer continuamente como uma Igreja de comunhão, participação e missão.

Ação Evangelizadora Diocesana
Setor de Comunicação - Diocese de São José dos Pinhais (PR)