20 ABRIL 2026

ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA 


Primeira etapa reuniu participantes na Paróquia São Pedro, em São José dos Pinhais, com foco nas relações, na dinâmica dos grupos e na espiritualidade do caminho de Emaús.

A Coordenação da Animação Bíblico-Catequética, em parceria com o Instituto Dom Ladislau Biernaski, iniciou, no dia 18 de abril, a primeira etapa da Formação para Coordenadores de Catequese, realizada na Paróquia São Pedro, em São José dos Pinhais. O encontro marcou o início de um itinerário formativo ao longo do ano, estruturado de forma progressiva e inspirado na experiência dos discípulos de Emaús, reunindo coordenadores paroquiais e de comunidades para um dia de escuta, reflexão, partilha e envio missionário.

UMA ACOLHIDA MARCADA PELA MÍSTICA DE EMAÚS

O encontro teve início com a acolhida oficial conduzida por Silvinha Maria Teixeira, que introduziu os participantes na mística de Emaús (Lc 24,13-24). Por meio de uma encenação simbólica e da participação dos representantes dos oito subsetores, foi proposto um caminho comum, no qual cada participante foi convidado a reconhecer sua história, seu território e seu lugar na caminhada da Igreja. A dinâmica favoreceu o sentimento de pertencimento, destacando que o caminho da catequese é construído a partir das diferentes realidades, mas orientado por um mesmo horizonte. O gesto de cada participante colocar seu nome no caminho reforçou a centralidade da pessoa antes da função, evidenciando que a missão nasce da identidade e da história de cada um.

FORMAÇÃO EM CONTINUIDADE E COMPROMISSO PASTORAL

Na sequência, Cíntia Maria Rocha apresentou a proposta formativa, destacando que a formação integra a Fase do APROFUNDAR do itinerário formativo para os catequistas. O percurso foi pensado para qualificar o serviço dos coordenadores, respondendo às exigências atuais da missão, que envolve não apenas organização, mas condução de processos, acompanhamento de pessoas e promoção da comunhão. A proposta prevê três encontros presenciais e momentos on-line, articulando espiritualidade, conteúdo e prática pastoral. Entre os objetivos estão o fortalecimento da liderança em chave sinodal, o desenvolvimento de habilidades de escuta e discernimento e a capacidade de planejar e conduzir equipes de forma participativa e corresponsável.

ESPIRITUALIDADE QUE SUSTENTA O CAMINHO

O momento orante, conduzido por Ir. Elisiane Borges, aprofundou a dimensão espiritual do encontro. A partir da leitura orante do Evangelho de Emaús (Lc 24, 13-25), os participantes foram convidados a entrar no próprio caminho, reconhecendo suas inquietações, alegrias e desafios. A oração enfatizou a presença de Jesus que caminha junto, mesmo quando não é reconhecido, e a ação do Espírito Santo como luz que orienta a missão. O tempo de silêncio, meditação e oração pessoal favoreceu uma experiência de interioridade, essencial para o exercício do serviço de coordenação.

RELAÇÕES QUE CONSTROEM O SER DO COORDENADOR

O primeiro tema formativo, conduzido por Humberto Silvano Herrera Contreras, abordou as relações como fundamento do ser do coordenador. A reflexão destacou que a coordenação não se reduz a funções organizativas, mas nasce de uma experiência profunda de relação consigo mesmo, com Deus, com os outros e com a comunidade. Inspirado na pedagogia de Emaús, o tema evidenciou a importância da escuta, da acolhida e do acompanhamento como atitudes centrais do coordenador. Foi ressaltado que o coordenador é chamado a ser servidor do caminho, alguém que caminha junto, discerne e ajuda o grupo a crescer na fé e na missão.

A vivência conduzida por Léo Marcelo Plantes Machado aprofundou esse aspecto, propondo um momento de silêncio, reflexão pessoal e partilha, no qual os participantes puderam reconhecer o que sustenta e o que fragiliza sua missão, fortalecendo a consciência de si no serviço pastoral.

O GRUPO DE CATEQUISTAS E SUA DINÂMICA

No período da tarde, o segundo tema, também conduzido por Humberto, voltou o olhar para o grupo de catequistas. A reflexão apresentou o grupo como espaço vivo de relações, no qual se manifestam desafios, tensões, mas também possibilidades de crescimento e comunhão. Foi destacada a centralidade da escuta, da compreensão da realidade e da construção de corresponsabilidade como caminhos para fortalecer o grupo. A catequese foi apresentada não como espaço de desempenho, mas como lugar de encontro com Jesus Cristo, onde as relações humanas e os afetos têm papel fundamental no processo formativo.

A vivência da tarde trouxe situações concretas da realidade dos grupos, permitindo aos participantes identificar desafios e propor caminhos pastorais possíveis, favorecendo uma reflexão prática e aplicada à vida das comunidades.

UMA CATEQUESE QUE BRILHA EM COMUNHÃO

Ao longo do dia, a síntese formativa evidenciou a imagem dos “brilhos” como chave de leitura do processo vivido. Os catequistas foram reconhecidos como estrelas, chamadas a brilhar em sua vocação; Jesus Cristo como a luz que orienta o caminho; e o grupo como constelação, expressão da comunhão e da corresponsabilidade. A catequese, nesse horizonte, é chamada a ser um espaço que ilumina a vida, que constrói relações e que conduz ao encontro com Cristo, fortalecendo a missão evangelizadora da Igreja.

ENVIO MISSIONÁRIO E SINAL DE ESPERANÇA

O encontro foi concluído com a celebração de envio, conduzida pela Equipe Diocesana da Animação Bíblico-Catequética, coroando um caminho que foi sendo construído ao longo de todo o dia. Desde a chegada, os participantes foram inseridos em uma experiência progressiva: no início, um ambiente marcado pela simplicidade, com terra, sementes e questionamentos pessoais, convidava cada coordenador a olhar para dentro de si, reconhecendo sua realidade, suas alegrias, seus cansaços e as relações que sustentam ou fragilizam sua missão.

Ao longo do dia, esse cenário foi sendo transformado. As sementes deram lugar a pequenos sinais de crescimento, indicando que algo já começava a se modificar interiormente. Na parte da tarde, o ambiente se tornou mais vivo e colorido, com flores que expressavam o florescimento de um processo que, embora silencioso, acontecia no coração de cada participante. Assim, o percurso formativo foi traduzido também de forma simbólica: da realidade acolhida, passando pelo processo vivido, até chegar ao despertar interior.

Nesse contexto, o gesto final da entrega do potinho de mel não foi apenas um símbolo isolado, mas a síntese de todo o caminho percorrido. O mel, fruto do trabalho paciente e comunitário das abelhas, remete a um processo feito de tempo, cuidado, perseverança e cooperação. Da mesma forma, a missão do coordenador e a própria catequese não nascem prontas, mas se constroem aos poucos, a partir de encontros, relações e dedicação contínua.

Ao receber o mel, cada participante foi convidado a reconhecer aquilo que Deus já está transformando em sua vida e em sua missão, percebendo que, mesmo em meio aos desafios, há um processo fecundo acontecendo. O gesto tornou-se, assim, um envio: continuar o caminho iniciado, agora com mais consciência, fé e esperança, cultivando, no cotidiano das comunidades, uma catequese que nasce do cuidado, amadurece na comunhão e floresce em vida nova.

PARTICIPANTES

O encontro contou com a participação de 179 coordenadores da catequese, entre paroquiais e de comunidades, representando 34 paróquias da Diocese, evidenciando a amplitude e a comunhão do caminho formativo vivido neste primeiro momento.

Equipe Diocesana da Animação Bíblico-Catequética
Fotos: Daniela Fiametti Roza