30 MARÇO 2026

ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA 


A Coordenação Diocesana da Animação Bíblico-Catequética deu início, no último sábado (28), à formação para a Catequese Inclusiva, reunindo 75 catequistas de vinte paróquias na Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa, em Fazenda Rio Grande. O encontro marcou o primeiro passo de uma trilha formativa composta por três etapas ao longo de 2026, inserida no itinerário formativo dos catequistas na fase do APROFUNDAR, em sintonia com o Instituto Dom Ladislau Biernaski.

Desde a acolhida, o encontro evidenciou sua identidade profundamente sinodal. A dinâmica “Do Território à Mesa”, conduzida por Silvinha Maria Teixeira, provocou os participantes a refletirem sobre quem ainda não encontra lugar na comunidade eclesial. Em um gesto simbólico, os nomes dos subsetores foram levados do chão à mesa, expressando o chamado à comunhão e à inclusão efetiva na vida da Igreja.

A mística do encontro foi inspirada no Evangelho de Marcos (Mc 3,1-5), conduzida por Vanderlei José dos Santos, que convidou os catequistas a contemplarem o olhar de Jesus diante do homem da mão seca. A reflexão destacou a necessidade de superar julgamentos e indiferenças, assumindo uma postura de compaixão e reconhecimento da dignidade de cada pessoa.

Durante o encontro, os participantes receberam o livro “Catequese Inclusiva: caminhos de fé e comunhão”, de Maria de Fátima Minetto e Liriane Costa de Oliveira (Editora Vozes), que servirá como referência ao longo dos três momentos formativos, orientando o aprofundamento teológico, pastoral e metodológico da proposta.

A apresentação do projeto formativo foi conduzida por Joelma Penteado, que destacou que a Catequese Inclusiva não se limita à adaptação de materiais, mas implica uma verdadeira conversão pastoral. A proposta busca integrar dimensões bíblicas, teológicas, pedagógicas e mistagógicas, favorecendo uma transformação da sensibilidade e da prática catequética. Ao longo dos encontros, serão aprofundados temas como a compreensão da inclusão na vida da Igreja, metodologias acessíveis, práticas sensoriais, estudo de casos e a integração com famílias e comunidades.

A mística da formação será vivida em três momentos ao longo do itinerário, sendo retomada em cada encontro como eixo espiritual que ilumina o caminho. Inspirada no Evangelho de Marcos (Mc 3,1-5), ela acompanhará progressivamente a reflexão e a vivência dos participantes, ajudando a aprofundar o olhar, a escuta e a ação pastoral. Em cada etapa, serão contemplados os movimentos do Evangelho: Jesus entra e vê a realidade (ver – primeiro encontro: a pessoa com deficiência, o território e o catequista inclusivo), chama para o centro e questiona (iluminar – segundo encontro: conhecendo as deficiências), e convida a estender a mão (agir – terceiro encontro: orientações inclusivas e questões práticas), conduzindo à transformação e à inclusão.

Entre os temas trabalhados, destacou-se a reflexão sobre “A pessoa com deficiência e sua participação na vida da Igreja sinodal”, conduzida por Léo Marcelo Plantes Machado. Os participantes percorreram um itinerário histórico do Magistério, evidenciando o amadurecimento da Igreja no cuidado e na inclusão. Na sequência, Ana Caroline Bonato da Cruz abordou a introdução à Catequese Inclusiva, trazendo elementos da legislação brasileira, o conceito de neurodiversidade e a importância de compreender a diferença entre igualdade, equidade e justiça.

Outro ponto forte da formação foi a reflexão sobre o perfil do catequista inclusivo, ressaltando a superação das barreiras atitudinais e a importância da escuta ativa, da empatia e da flexibilidade pastoral diante das diversas realidades.

Os catequistas também foram orientados sobre a construção do portfólio formativo, compreendido como um espaço pessoal de registro, memória e acompanhamento do próprio processo de transformação. O portfólio foi apresentado como um caminho de interiorização, ajudando cada participante a perceber como o encontro com o Evangelho e com a realidade vai moldando sua prática e seu olhar pastoral.

Durante o encontro, houve ainda a reorientação dos Grupos de Trabalho (GTs), que irão sustentar a caminhada diocesana de inclusão em diversas frentes, como fundamentos e espiritualidade, materiais acessíveis, acompanhamento das famílias, formação de catequistas, mapeamento das realidades e articulação com outras pastorais. Os grupos foram apresentados como espaços de serviço, comunhão e construção coletiva. A proposta é que, ao longo do período formativo, os GTs se reúnam de forma presencial ou online para estruturar um cronograma de atividades. À medida que cada grupo for desenvolvendo materiais e orientações, estes serão partilhados com os participantes da formação, fortalecendo o caminho comum e a prática nas comunidades.

Foi apresentada aos participantes uma folha com links de acesso aos materiais do Projeto Ecos de Proteção, desenvolvido em parceria com o Centro Marista de Defesa da Infância e a Pontifícia Universidade Católica do Paraná. A Diocese participou como território de pesquisa ao longo de 2024 e 2025, contribuindo com a escuta de lideranças, levantamento de dados e construção de materiais formativos. A iniciativa fortalece a promoção de uma cultura do cuidado e da proteção das infâncias e das pessoas em situação de vulnerabilidade, articulando fé, ciência e compromisso pastoral.

O encontro foi concluído com uma celebração de envio, na qual cada participante recebeu uma caneta como símbolo do compromisso de registrar e construir caminhos de inclusão em suas comunidades. Em um gesto de bênção mútua, os catequistas foram enviados a “estender a mão”, inspirados no gesto de Jesus, tornando concreta a missão de uma Igreja onde todos tenham lugar.

A próxima etapa da formação está agendada para o dia 23 de maio, dando continuidade a este caminho que busca fortalecer uma catequese mais inclusiva, sensível e comprometida com o Evangelho.

Animação Bíblico-Catequética 

Fotos: Caliandra Matos