
25 MARÇO 2026
ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA
Na noite da última segunda-feira, 23 de março, a Coordenação Diocesana da Animação Bíblico-Catequética deu um passo significativo em sua missão evangelizadora. O encontro formativo on-line, intitulado “Catequese e Educação para o Trânsito”, reuniu a Equipe Diocesana da Animação Bíblico-Catequética e coordenadores paroquiais de catequese para a reflexão sobre um futuro projeto a ser implantado na Diocese.
A abertura do encontro, conduzida por Léo Marcelo Plantes Machado, destacou o compromisso da equipe diocesana com uma catequese conectada com a vida. Em sua reflexão, evidenciou que o trânsito, mais do que um espaço de deslocamento, revela atitudes profundas do coração humano, como a paciência, o respeito e o cuidado com a vida. Também recordou que a iniciativa nasce de um pedido do padre Albino Czanovski, da Pastoral Rodoviária, para que fosse desenvolvido um trabalho com os catequizandos sobre a educação para o trânsito. A partir desse pedido, Dom Celso Antônio Marchiori delegou as tratativas à Coordenação da Ação Evangelizadora e à Coordenação Diocesana da Animação Bíblico-Catequética.

O momento orante, conduzido por Vanderlei José dos Santos, reforçou o tema “Cuidar da vida: fé que se vive também no trânsito”, inspirado no Evangelho de João (10,10). A oração convidou os participantes a assumirem uma postura responsável como expressão concreta do amor ao próximo.
Ao recordar o percurso da iniciativa, Silvinha Teixeira destacou que a proposta nasceu de um processo de escuta, diálogo e discernimento iniciado em fevereiro de 2026, envolvendo a Coordenação da Ação Evangelizadora, a Pastoral Rodoviária e a Coordenação Diocesana da Animação Bíblico-Catequética. A partir dessa escuta, compreendeu-se que o trânsito é também um espaço de evangelização. Na reunião realizada em fevereiro, o padre Albino Czanovski apresentou o professor Valdilson Aparecido Lopes, que reforçou a necessidade de uma mudança de olhar: o trânsito como espaço de formação humana, ética e cristã. Assim, consolidou-se a compreensão de que educar para o trânsito é educar para o cuidado e para a dignidade da vida. O discernimento dos participantes evidenciou a urgência do tema e apontou para uma catequese que vá além dos conteúdos, formando para a vida. Como primeiro fruto, surgiu a realização de uma formação diocesana on-line, com assessoria do professor Valdilson, com o objetivo de sensibilizar as lideranças e iniciar esse caminho de integração.

A “GUERRA SURDA” NAS ESTRADAS: UM GRITO DA PASTORAL RODOVIÁRIA
Em sua mensagem inicial, o padre Albino Czanovski trouxe uma reflexão contundente sobre a realidade das estradas brasileiras. Ele classificou o trânsito como uma “guerra surda”, alertando que o número de mortes supera o de muitos conflitos armados ao redor do mundo. Também destacou a sensibilidade de Dom Celso Antônio Marchiori, que acolheu a proposta de integração entre a catequese e a pastoral rodoviária. Segundo ele, este momento é um convite para que a Igreja invista em estudo e reflexão, promovendo conteúdos que ensinem, desde a infância, o valor da vida.
DO "ACIDENTE" AO "SINISTRO": UMA NOVA PERSPECTIVA PARA SALVAR VIDAS
O ponto central da formação foi a assessoria do Professor Valdilson Aparecido Lopes, pesquisador, escritor e professor universitário com vasta experiência em mobilidade urbana. Valdilson, que atua há três anos na Pastoral Rodoviária, trouxe uma abordagem que une o rigor técnico à sensibilidade cristã. Com dados impactantes, ele apresentou o "relógio da morte", um panorama mundial baseado em estudos da ONU que revela uma realidade estarrecedora: uma pessoa perde a vida no trânsito a cada 23 segundos. Durante a palestra, o cronômetro mostrava que, somente naquele dia, mais de 30 mil pessoas já haviam falecido em decorrência dessa "guerra surda" nas estradas.

A realidade local também foi evidenciada como um chamado urgente à ação para a Igreja. No Paraná, dados do Detran de 2023 apontam que 34 crianças de 0 a 11 anos faleceram em rodovias paranaenses, totalizando 268 sinistros envolvendo essa faixa etária. Esse número, segundo o professor, interpela diretamente a missão da Igreja, que deve zelar pela proteção e promoção do dom da vida.
Um dos momentos mais reflexivos da noite foi a defesa da mudança terminológica de "acidente" para "sinistro", em conformidade com as normas da ABNT de 2020. Valdilson explicou que a maioria dessas ocorrências não são fatalidades casuais ou meros "acidentes", mas frutos de falhas estruturais na educação, na fiscalização ou na gestão pública. "Não podemos mais concordar com o termo acidente quando há falta de conhecimento ou negligência", afirmou o assessor.
Além do custo humano imensurável, o professor apresentou o impacto econômico dessa realidade: o Brasil gasta cerca de R$ 50 bilhões por ano com sinistros de trânsito, valor que poderia ser investido em educação e infraestrutura. No Paraná, esse desperdício chega a R$ 3 bilhões anuais.
Inspirado no modelo europeu de "Visão Zero", que não aceita nenhuma morte no trânsito, o professor convocou os catequistas a aplicarem os fundamentos bíblicos para salvar vidas. "A educação para o trânsito é uma necessidade que não pode mais esperar", enfatizou Valdilson, reforçando que educar para o trânsito sob a luz do Evangelho de João (10,10): "Eu vim para que todos tenham vida" é uma forma concreta de viver o mandamento do amor ao próximo e cuidar do dom mais precioso de Deus.
Após a explanação do Professor Valdilson Aparecido Lopes, os coordenadores presentes na formação on-line expressaram suas impressões sobre o projeto "Catequese e Educação para o Trânsito", destacando o impacto emocional dos dados e a relevância pastoral da iniciativa. Ir. Elisiane Borges, coordenadora da catequese da Catedral São José, enfatizou o papel fundamental das crianças como "esponjas" de conhecimento. Ela observou que as crianças têm a capacidade de levar o aprendizado para dentro de casa, despertando os adultos e até mesmo corrigindo o comportamento dos pais ao volante, tornando-se agentes de transformação familiar.
PRÓXIMOS PASSOS: CAMINHO DE UMA CATEQUESE PARA A VIDA NO TRÂNSITO
Como fruto do encontro, foram definidos encaminhamentos concretos para integrar a temática ao itinerário catequético diocesano. Será constituído um grupo de estudo entre a Catequese e a Pastoral Rodoviária para elaborar roteiros de encontros catequéticos sobre educação para o trânsito, adaptados às diferentes etapas, com possibilidade de aplicação já no segundo semestre de 2026. Esses materiais serão inicialmente testados no Setor I da Diocese, com posterior avaliação e expansão aos demais setores.
Léo Marcelo destacou que, em sintonia com a campanha nacional, o Maio Amarelo será vivido na Diocese como uma ação conjunta envolvendo a Coordenação da Ação Evangelizadora e a Pastoral Rodoviária. A programação prevê formação para coordenadores dos conselhos paroquiais no dia 9 de maio, além de encontros de sensibilização com os presbíteros nos dias 14, 21 e 22 de maio. A proposta reforça que o Maio Amarelo vai além de uma ação pontual, constituindo-se como um caminho evangelizador que promove a conscientização e a transformação das atitudes no trânsito à luz da fé.
PRUDÊNCIA E PACIÊNCIA: VIRTUDES CRISTÃS NAS RUAS
O padre Albino destacou que a missão da catequese é formar para uma vivência responsável no trânsito. Segundo ele, “prudência e paciência” são virtudes essenciais para prevenir tragédias e promover o cuidado com a vida. Ele também manifestou esperança de que a iniciativa, ainda em caráter piloto, inspire outras dioceses a assumirem a educação para o trânsito como parte de sua ação evangelizadora.
UM COMPROMISSO DE FÉ E AÇÃO
No encerramento, Joelma Penteado conduziu um momento de oração, convidando os participantes a levarem o conteúdo refletido para a vida concreta. Em sua prece, destacou que cada atitude no trânsito pode proteger ou colocar vidas em risco, reforçando o chamado a viver o Evangelho também nas escolhas do dia a dia.
