
23 FEVEREIRO 2026
ANIMAÇÃO BÍBLICO-CATEQUÉTICA
Nos dias 21 e 22 de fevereiro de 2026, realizou-se em Curitiba, no Instituto Salette, o Encontro Regional de Coordenadores e Assessores da Animação Bíblico-Catequética do Regional Sul 2 da CNBB, reunindo representantes das (arqui)dioceses do Paraná. O encontro teve como tema geral “Catequese Inclusiva” e como lema “Vem para o meio” (Mc 3,3), inspirando toda a programação formativa, celebrativa e reflexiva vivida ao longo dos dois dias.

Na abertura dos trabalhos, a coordenadora da Animação Bíblico-Catequética do Regional Sul 2, Débora Pupo, destacou com alegria a unidade do Regional, ressaltando que todas as (arqui)dioceses do Paraná estavam representadas no encontro. Sublinhou que o Regional constitui espaço privilegiado de projeção, partilha e entreajuda entre as dioceses, fortalecendo a comunhão e a corresponsabilidade na missão catequética. Na sequência, convidou os participantes a se apresentarem, favorecendo um clima fraterno e de maior conhecimento entre as dioceses presentes.
Ao apresentar a assessora do encontro, Michele Toso Capellini, Débora destacou seu percurso acadêmico e pastoral na área da inclusão. Michele é graduada na área da educação e da teologia, com especialização e aprofundamento em temas relacionados à inclusão e à catequese. Atua como formadora e assessora em encontros, seminários e processos formativos voltados à catequese inclusiva, colaborando com dioceses e regionais em todo o Brasil. É coautora da obra Catequese e Inclusão: um sinal do Espírito, publicada pela Editora Vozes, em parceria com o Pe. Antonio Marcos Depizolli, presbítero da Diocese de Jacarezinho.
Débora recordou ainda que o Pe. Marcos dedicou seu mestrado e doutorado ao tema da catequese inclusiva e foi assessor nacional da Comissão para a Animação Bíblico-Catequética da CNBB no quadriênio 2015–2019, sendo referência importante na reflexão eclesial sobre inclusão no Brasil.
A partir dessa introdução, teve início a assessoria formativa, que aprofundou a dimensão bíblica, teológica e metodológica da inclusão na catequese, reafirmando que a Igreja, enquanto Corpo de Cristo, é chamada a ser comunidade onde cada pessoa é reconhecida, acolhida e integrada plenamente na vida de fé.
CATEQUESE INCLUSIVA: IDENTIDADE DA IGREJA

Durante todo o sábado, Michele Toso Capellini conduziu o aprofundamento sobre catequese inclusiva, articulando fundamentos bíblicos, pastorais e metodológicos, sempre a partir de experiências concretas vividas nas comunidades.
Partindo da Palavra de Deus, especialmente 1Cor 12,22-27 foi recordado que “os membros que parecem mais fracos são os mais necessários”. A inclusão não é um projeto paralelo, nem uma especialização opcional da catequese, mas expressão constitutiva da identidade da Igreja. Se a Igreja é Corpo de Cristo, não pode gerar divisões nem excluir membros; é chamada a honrar justamente os mais frágeis.
Também foi evocada a força missionária de Mc 16,15 “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” sublinhando que o mandato de Jesus não admite exceções.
Muito além da deficiência: quem está à margem?
Um ponto importante aprofundado foi a necessidade de ampliar o olhar sobre o conceito de inclusão. Não se trata apenas de deficiência. Foram citadas realidades como: Pessoas com TDAH; Altas habilidades/superdotação; Condições comportamentais específicas; Situações familiares complexas; Realidades sociais e culturais ainda não alcançadas pela comunidade. A pergunta central proposta foi clara: Quem está à margem? Quem ainda não está sendo alcançado?
A assessora alertou para o risco dos rótulos precipitados e para o medo excessivo dos diagnósticos. Antes de perguntar “qual é o transtorno?”, é preciso perguntar: “O que pode estar acontecendo com essa pessoa?”
Equidade, não igualdade
Outro eixo forte foi a distinção entre igualdade e equidade. Inclusão não significa fazer igual para todos, mas oferecer caminhos diferenciados conforme as necessidades concretas. Foram apresentados relatos de: preparação personalizada para os sacramentos; adaptações sensoriais na celebração eucarística; uso da espécie do vinho em casos específicos; ensaios prévios do rito do Batismo; construção gradual de pertencimento comunitário. A lógica apresentada foi clara: A motivação determina se uma ação é inclusão ou segregação.
Linguagem, ética e postura pastoral
A inclusão foi trabalhada em três dimensões fundamentais: Comunicacional (descrição de imagens, uso de Libras, comunicação alternativa, cuidado com cores e símbolos); Instrumental (acessibilidade física, mobiliário, organização do espaço); Atitudinal (superação do preconceito e do julgamento). Foi enfatizado que a barreira mais difícil de ser superada não é arquitetônica, mas interior. Também foram aprofundados aspectos éticos importantes: respeito à confidencialidade das informações familiares; necessidade de autorização para diálogo com profissionais; evitar transformar a catequese em espaço clínico; cuidado com promessas irreais às famílias.
Inclusão também é pastoral orgânica
Um ponto muito forte do relatório foi a insistência de que a inclusão não pode ficar restrita à sala de catequese. É necessária articulação com: Pastoral da acolhida; Liturgia; Conselho Pastoral; Formação do clero; Pastoral Familiar; Seminários e processos formativos permanentes. Foi destacada a importância de datas simbólicas (como 21 de março e 2 de abril) como oportunidades pedagógicas de sensibilização comunitária.
Novas linguagens e método catequético
A formação trouxe um forte apelo metodológico: uso do método indutivo (partir da vida concreta); exploração dos sentidos (mistagogia); previsibilidade para pessoas com autismo; uso de pranchas de comunicação alternativa; recursos digitais e inteligência artificial para acessibilidade; produção de conteúdos com descrição de imagens; planejamento conjunto entre catequista e intérprete de Libras. A inclusão foi apresentada também como abertura ao inesperado, valorizando perguntas e conexões culturais dos catequizandos.
Sacramentos e direito à participação
Foi reafirmado que as pessoas com deficiência têm pleno direito à vida sacramental. Foram abordadas situações concretas relacionadas a: confissão com intérprete de Libras (preservando sigilo); comunhão eucarística com adaptações necessárias; organização litúrgica sensível às condições sensoriais; missas com ajustes sonoros e ambientais; preparação gradual e personalizada para Batismo e Eucaristia. O rito é da Igreja, mas o caminho precisa considerar a singularidade da pessoa.
Conversão pastoral: aprender a partir do outro
A inclusão foi apresentada como processo contínuo de conversão pastoral. Não se trata de romantização, mas de estratégia concreta e permanente. Foi reforçado que: o catequista também precisa ser incluído em suas fragilidades; o medo não é pecado, mas precisa ser trabalhado; a comunidade precisa reaprender a caminhar no ritmo do outro; a Igreja não leva as pessoas com deficiência ao seu coração, elas revelam onde está o coração da Igreja.
Caminho permanente
Encerrando, a assessora destacou que a inclusão exige processo, formação contínua e construção coletiva. Não se resolve com um encontro isolado, mas com perseverança. O Encontro Regional reafirmou que a catequese inclusiva não é apenas um tema formativo, mas um chamado eclesial urgente: ser Igreja que convive, escuta, adapta, aprende e caminha junto.
REFLEXÃO POR PROVÍNCIAS E ENCAMINHAMENTOS

Na manhã de domingo, após o momento orante, as (arqui)dioceses reuniram-se por províncias para o estudo e a reflexão conjunta, conforme a proposta apresentada pela coordenação regional. O trabalho foi orientado por três questões centrais: destacar um conteúdo da formação que contribui diretamente para a caminhada diocesana; elencar dois passos concretos para ampliar a dimensão da inclusão de pessoas com necessidades específicas na Iniciação à Vida Cristã; e indicar dois temas prioritários para futuras formações permanentes dos catequistas. O momento favoreceu a partilha das realidades locais, o intercâmbio de experiências e a definição de encaminhamentos práticos, reforçando o compromisso regional com processos formativos estruturados e com a implementação efetiva da inclusão nas dioceses do Paraná.
MINISTÉRIO DE CATEQUISTAS
Débora Pupo informou que será encaminhado posteriormente às dioceses um formulário de pesquisa, com o objetivo de mapear como cada Igreja particular está organizando o processo formativo, o discernimento vocacional e a preparação para a formação ministerial. O levantamento buscará reunir informações sobre o andamento dos projetos diocesanos relacionados ao Ministério de Catequista, identificando etapas já realizadas, desafios enfrentados e perspectivas futuras. A iniciativa pretende favorecer maior articulação regional e fortalecer a caminhada conjunta na implementação do ministério nas dioceses do Paraná.
APRESENTAÇÃO E ENTREGA DO MATERIAL DO PROJETO REINICIAÇÃO

Durante o encontro, a Diocese de São José dos Pinhais realizou a apresentação do Projeto Reiniciação, partilhando brevemente o andamento da iniciativa na Diocese. As representantes da Equipe Diocesana da Animação Bíblico-Catequética, Silvinha Teixeira e Joelma Penteado, apresentaram em poucas palavras o percurso já realizado, destacando a organização dos grupos, o processo formativo dos formadores paroquiais e a metodologia inspirada na iniciação à vida cristã em chave catecumenal. Na ocasião, foi feita também a entrega simbólica do kit do material do Projeto Reiniciação às coordenações diocesanas presentes, como gesto de partilha e comunhão entre as dioceses do Regional. A iniciativa foi acolhida com interesse, evidenciando o desejo de fortalecer processos catequéticos estruturados e inspirados na renovação da iniciação cristã.
MÍSTICA QUE MARCOU O ENCONTRO
A espiritualidade do Encontro Regional foi conduzida por Eva Gislaine, que animou os momentos orantes ao longo da programação. Inspirada na passagem bíblica “Vem para o meio” (Mc 3,3), a mística tornou-se o eixo que iluminou toda a formação. O gesto de Jesus, ao chamar para o centro o homem com a mão seca, provocou os participantes a refletirem sobre quem ainda permanece à margem da comunidade. Os momentos celebrativos foram organizados em três movimentos: o chamado ao centro, a cura que estende a mão e o compromisso que gera vida. Na oração final, proclamada na manhã de domingo, os participantes assumiram o propósito de promover uma catequese integral, marcada por acolhida, escuta e compromisso concreto. A mística reforçou que a inclusão não é tema secundário, mas expressão do coração da Igreja e caminho permanente para uma comunidade onde há lugar para todos.
UM CAMINHO QUE CONTINUA
O encontro foi encerrado na manhã de domingo com a oração de compromisso, momento que sintetizou o espírito formativo vivido ao longo dos dois dias. Em clima de unidade e envio, os participantes confiaram a Deus os desafios da missão catequética e renovaram o propósito de servir com fidelidade, responsabilidade e esperança. O encontro renovou nas dioceses participantes o compromisso de fortalecer redes de diálogo, aprofundar a formação e promover uma catequese que seja verdadeiramente espaço de pertença, onde cada pessoa possa ouvir, com clareza e verdade: “Você é bem-vindo. Há lugar para você.”
PARTICIPAÇÃO DA DIOCESE NO ENCONTRO REGIONAL
Pela Diocese de São José dos Pinhais participaram do Encontro Regional: Léo Marcelo Plantes Machado; Silvinha Teixeira; Joelma Penteado; Ir. Elisiane Borges; Ana Caroline Bonato da Cruz, membro da equipe diocesana do Projeto Catequese Inclusiva; e Sara Duete, noviça da Congregação Apóstolas da Sagrada Família. A presença da Diocese no encontro fortaleceu a comunhão regional e possibilitou a partilha de experiências, especialmente no campo da catequese inclusiva e dos processos formativos em andamento.
CATEQUESE INCLUSIVA NA DIOCESE
As reflexões aprofundadas no Encontro Regional dialogam diretamente com o Projeto Diocesano da Catequese Inclusiva, que vem sendo retomado e articulado desde 2025. O projeto é desenvolvido em parceria com o Instituto Ombro Amigo e conta com a coordenação de Ana Caroline Bonato da Cruz, juntamente com membros da equipe diocesana. A retomada do projeto marcou uma nova etapa na caminhada pastoral da Diocese, estruturando processos formativos, escuta das comunidades e articulação de ações concretas voltadas ao acolhimento de pessoas com deficiência e suas famílias. Para 2026, já estão agendados três encontros formativos destinados aos catequistas que desejam aprofundar-se na temática da inclusão. Os encontros acontecerão na Paróquia São Gabriel da Virgem Dolorosa, em Fazenda Rio Grande, nas seguintes datas: 28 de março, 23 de maio e 19 de setembro, compondo um percurso formativo contínuo para fortalecer a Catequese Inclusiva na Diocese.
