14 FEVEREIRO 2026
DIOCESE DE SÃO JOSÉ DOS PINHAIS/PR
No dia 12 de fevereiro, a Diocese de São José dos Pinhais realizou na Paróquia São Pedro em São José dos Pinhais, o Encontro Diocesano com Presbíteros, Colaboradores das Paróquias e da Cúria. O dia foi marcado por celebração, formação e encaminhamentos concretos para a Fase de Implementação do Sínodo.
A programação iniciou-se com a Santa Missa presidida por Dom Celso Antônio Marchiori, que destacou que o encontro não era “uma simples reunião de trabalho, mas um momento de Igreja, Corpo unido de Cristo, que se reúne para escutar o Espírito”. Em sua homilia, o bispo recordou que a conversão pastoral nasce de uma conversão pessoal: “Estruturas, costumes e até métodos pastorais podem, se não vigiarmos, ocupar o lugar do essencial. Às vezes caímos na tentação de dizer: ‘Sempre foi assim’. Isso nos impede a mudança.”

Após a homilia, foi realizado um momento de compromisso de comunhão, participação e missão, motivado pelo Pe. João Maria Rodrigues Stech, Vigário Geral da Diocese. Inspirados pela Palavra proclamada e pelo caminho sinodal da Igreja, presbíteros, diáconos e colaboradores foram convidados a expressar publicamente o desejo de cultivar atitudes concretas de uma Igreja mais fraterna e missionária. A cada interpelação, todos responderam com firmeza o compromisso assumido. Ao final, Dom Celso entregou a cada participante, em suas mãos, um cartão com a oração que motivava a comunhão, a participação e a missão, como sinal visível da unidade e do envio para a caminhada sinodal.



Da comunhão à sinodalidade: pessoas, processos e vínculos
No período da manhã, o professor Diogo Marangon Pessotto conduziu a palestra “Da escuta à prática: as três conversões do Documento Final do Sínodo – relações, processos e vínculos”, aprofundando os fundamentos teológicos e pastorais da Fase de Implementação do Sínodo. Logo no início de sua exposição, provocou os participantes ao afirmar que, se a Igreja existe para a comunhão, a sinodalidade é a gestão dessa comunhão no cotidiano.

Ao desenvolver o tema, explicou que comunhão não é um conceito abstrato ou apenas espiritual, mas profundamente relacional. Segundo ele, comunhão só existe entre pessoas, e pessoas precisam de processos e vínculos para que a missão aconteça de forma organizada e fecunda. A vida eclesial, portanto, não se sustenta apenas em estruturas, mas na qualidade das relações e na maturidade dos processos que garantem unidade e corresponsabilidade.
Ao aprofundar a necessidade de conversão, destacou que a sinodalidade exige mudanças concretas. Recordou que, sem transformação prática, ela corre o risco de se tornar apenas discurso. Por isso, sublinhou a importância de aprender a escutar, discernir, decidir, avaliar e prestar contas como atitudes permanentes da vida pastoral. Esses elementos não são meramente administrativos, mas expressões concretas de uma Igreja que deseja viver a comunhão como missão.
Sua reflexão apontou para a urgência de uma Igreja capaz de gerir conflitos com maturidade, integrar carismas com discernimento e fortalecer vínculos missionários, superando tanto o centralismo excessivo quanto a fragmentação pastoral. A sinodalidade, afirmou, não elimina a autoridade, mas a qualifica como serviço, tornando-a expressão concreta da comunhão que nasce da escuta do Espírito e da corresponsabilidade de todos os batizados.
Implementar é transformar o jeito de ser Igreja
Na sequência, o Pe. Celmo Suchek de Lima apresentou os encaminhamentos práticos da Fase de Implementação do Sínodo, destacando que este momento exige maturidade pastoral e clareza de propósito. Recordou que implementar não significa começar algo totalmente novo, mas dar vida renovada ao que já existe na caminhada da Diocese.

Em sua fala, afirmou: “Não se trata de criar algo novo do zero, mas de revitalizar o que já existe. A Equipe Sinodal Paroquial não substitui o Conselho Missionário Pastoral Paroquial. Ela anima e sustenta um jeito de ser Igreja.” Assim, explicou que as Equipes Sinodais têm a missão de fortalecer a dinâmica sinodal dentro das estruturas já constituídas, ajudando a comunidade a viver com mais consciência o discernimento, a escuta e a corresponsabilidade.
Reforçou ainda que a missão da Igreja não está vinculada a pessoas específicas, mas à comunidade como um todo. “A comunidade permanece. Padres são transferidos, coordenadores mudam, mas a missão da Igreja continua. E essa missão não é minha. É nossa.” Com essa afirmação, convidou todos os presentes a assumirem com responsabilidade e espírito de comunhão o processo de implementação, entendendo-o como expressão concreta de um caminho compartilhado.
Saúde mental e cultura do cuidado
No período da tarde, a psicóloga Érica Oliveira, do Mosaico – Centro de Psicologia, conduziu uma reflexão sobre a saúde integral no trabalho pastoral, destacando a importância de cuidar não apenas das demandas espirituais, mas também das dimensões emocionais e humanas daqueles que exercem a missão na Igreja. Durante sua fala, ressaltou que o cuidado com a saúde mental é parte da responsabilidade pastoral da Diocese, afirmando: “Quem acolhe também precisa ser acolhido.” Na ocasião, apresentou também a Pesquisa Diocesana de Saúde Mental, que está sendo coordenada pelo Mosaico – Centro de Psicologia, em parceria com a Diocese. A pesquisa é direcionada aos presbíteros, diáconos permanentes e transitórios, bem como aos funcionários da Mitra Diocesana, e está em fase final de aplicação. Foi explicado que o questionário, encaminhado no mês de dezembro, é totalmente anônimo, garantindo sigilo e confidencialidade aos participantes. Reforçou o convite para que aqueles que ainda não responderam participem com responsabilidade e sinceridade, compreendendo que a pesquisa tem como finalidade identificar necessidades reais e possibilitar a implantação de ações concretas de promoção e prevenção em saúde mental no âmbito diocesano.

Em seguida, foram apresentados os resultados do Projeto Ecos de Proteção, fruto de parceria com o Centro Marista de Defesa da Infância, PUCPR e outras instituições. A iniciativa expressa o compromisso da Diocese com a cultura do cuidado e com a promoção de ambientes seguros para crianças, adolescentes e pessoas em situação de vulnerabilidade.

A apresentação dos dados foi conduzida por Rivaldo Dionizio Candido, que detalhou os resultados das pesquisas realizadas no território diocesano. Ele explicou que foram desenvolvidos três levantamentos principais: uma pesquisa de campo sobre proteção às infâncias na Diocese, o mapeamento da rede de proteção nos 14 municípios e o levantamento das publicações da Igreja no Brasil sobre prevenção de violências. Destacou que o objetivo não é apenas conhecer a realidade, mas oferecer instrumentos concretos para que as paróquias saibam como agir diante de situações de risco e violação de direitos.
Durante a exposição, reforçou-se que a prevenção não é apenas uma exigência legal, mas também uma responsabilidade eclesial e social. Como foi afirmado ao longo do encontro, “Proteger e cuidar também é evangelizar.”
A professora Bárbara Pimpão Ferreira sublinhou que a prevenção exige formação permanente, protocolos claros e responsabilidade no encaminhamento das situações. Ao explicar a postura adequada diante de possíveis relatos, afirmou: “A gente não leva a criança; leva a notícia para quem tem competência de agir. Registrar e encaminhar é proteger.” Ela destacou ainda que o sigilo, o cuidado e a articulação com os órgãos competentes são fundamentais para evitar tanto a omissão quanto a revitimização.
O professor José André de Azevedo trouxe uma leitura teológica da iniciativa, recordando que a missão da Igreja está profundamente ligada à defesa da vida e da dignidade humana. Segundo ele, “se lemos o mundo com a gramática do Evangelho, percebemos que proteger e cuidar também é evangelizar.” Ressaltou que a pesquisa acadêmica, quando colocada a serviço da Igreja, torna-se instrumento concreto de anúncio e de promoção da vida em abundância.
O projeto apresentou ainda o mapeamento detalhado dos equipamentos de proteção nos 14 municípios da Diocese, além de materiais formativos, como o guia de comunicação amigável e a série “Cuidadores de Esperança”, oferecendo subsídios práticos para fortalecer a cultura da prevenção nas comunidades.
Sinodalidade no cotidiano: servir, acolher e caminhar juntos
Os colaboradores das paróquias e da Cúria participaram, no período da tarde, de um trabalho em grupo com o tema “Sinodalidade no cotidiano: servir, acolher e caminhar juntos”. O momento foi conduzido como exercício concreto de escuta e partilha, reforçando que a sinodalidade não se limita aos grandes encontros, mas se expressa nas atitudes diárias, nas relações de trabalho e no modo como cada pessoa acolhe e serve.

As partilhas revelaram que a cultura do acolhimento já está presente na vida pastoral da Diocese, especialmente nas secretarias paroquiais e nos diversos serviços de atendimento. No entanto, também ficou claro que esse caminho precisa ser continuamente aprofundado. Conforme sintetizado no relatório do encontro, já acolhemos, mas precisamos acolher melhor; já escutamos, mas precisamos escutar com mais qualidade; já caminhamos juntos, mas precisamos integrar mais os setores e fortalecer a corresponsabilidade.
O conjunto das respostas evidenciou que o maior desafio não é estrutural, mas relacional e espiritual. Trata-se de amadurecer a qualidade da escuta, cultivar maior empatia, fortalecer a comunicação interna e evitar que a rotina pastoral se torne meramente funcional. A sinodalidade, segundo os participantes, começa no modo como nos tratamos, como respondemos a quem nos procura e como assumimos, juntos, a missão confiada à Igreja.
Ministério de Catequista: próximos passos
Em momento reservado aos presbíteros, foi apresentado o Resumo do Plano de Ação Diocesano para o discernimento, formação e instituição do Ministério de Catequista. A exposição foi conduzida por Léo Marcelo Plantes Machado, e Pe. Celmo Suchek de Lima, que detalharam o percurso orgânico e progressivo pensado para a Diocese.


O plano estabelece critérios claros de discernimento, fundamentados nos documentos da Igreja, e organiza um itinerário formativo estruturado em três grupos distintos, respeitando o tempo de caminhada e a maturidade vocacional de cada catequista. O primeiro grupo, composto pelos catequistas atuantes que já possuem trajetória consolidada e formação básica concluída, será preparado para possível instituição no ano de 2027. O segundo grupo seguirá um percurso intermediário, com horizonte de instituição em 2029. Já o terceiro grupo, formado por catequistas mais recentes ou em processo inicial de formação, terá um itinerário mais longo, com previsão de instituição em 2031.
O caminho proposto articula espiritualidade, formação teológica e pastoral, acompanhamento vocacional, escrutínios comunitários e retiro mistagógico, deixando claro que a participação na formação não garante automaticamente a instituição, pois esta será fruto de discernimento eclesial, confirmação comunitária e aprovação do bispo diocesano.
Durante a apresentação, destacou-se que o Ministério de Catequista não é um cargo, mas um serviço estável conferido pela Igreja por meio de rito litúrgico próprio, após processo sério de discernimento. Também foi reforçado que todo catequista deve ser cuidado, acompanhado e formado, mesmo que nem todos sejam instituídos.
Após as partilhas e o esclarecimento das dúvidas dos presbíteros, foi comunicado que o plano será agora apresentado aos coordenadores paroquiais de catequese e às equipes paroquiais de catequese no encontro do dia 28 de fevereiro, ampliando o diálogo e iniciando oficialmente a etapa de discernimento nas paróquias.
O momento marcou um passo importante na consolidação do Ministério de Catequista na Diocese, integrando-o à caminhada sinodal e à perspectiva catecumenal que vem sendo fortalecida nos últimos anos.
Um tempo de consolidação
Ao final do encontro, o Pe. João Maria Rodrigues Stech, Vigário Geral da Diocese, realizou uma breve socialização, retomando os principais pontos vivenciados ao longo do dia. Destacou que todas as reflexões apresentadas, sobre sinodalidade, cuidado, formação e ministérios, fazem parte de um único movimento da Ação Evangelizadora. Ressaltou que esse trabalho só produz frutos quando é vivido em comunhão, lembrando que a missão da Igreja não pertence a setores isolados, mas a todo o povo de Deus. Enfatizou que formar em comunhão significa caminhar juntos, fortalecer vínculos e assumir, com responsabilidade compartilhada, o compromisso de anunciar o Evangelho em unidade.
O encontro foi encerrado com a Palavra do Bispo Diocesano, oração e momento fraterno. Este dia marcou mais um passo concreto na consolidação da Fase de Implementação do Sínodo na Diocese de São José dos Pinhais. Como recordado ao longo das reflexões, não se trata apenas de reorganizar estruturas, mas de converter relações, qualificar processos e fortalecer vínculos, para que a Igreja seja cada vez mais sinal de comunhão, participação e missão.
Instituto Dom Ladislau Biernaski
Setor de Comunicação - Diocese de São José dos Pinhais
